segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pensamento do dia. 27/09/2010

"Ao considerar que os nossos sentidos às vezes nos enganam, quis presumir que
não existia nada que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, por existirem
homens que se enganam ao raciocinar, mesmo no que se refere às mais simples
noções de geometria, e cometem paralogismos, rejeitei como falsas, achando que
estava sujeito a me enganar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara
até então por demonstrações. E, enfim, considerando que quaisquer pensamentos
que nos ocorrem quando estamos acordados nos podem também ocorrer
enquanto dormimos, sem que exista nenhum, nesse caso, que seja correto, decidi
fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito
não eram mais corretas do que as ilusões de meus sonhos. Porém, logo em
seguida, percebi que, ao mesmo tempo que eu queria pensar que tudo era falso,
fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta
verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais
extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo,
julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da
filosofia que eu procurava.
Mais tarde, ao analisar com atenção o que eu era, e vendo que podia
presumir que não possuía corpo algum e que não havia mundo algum, ou lugar
onde eu existisse, mas que nem por isso podia supor que não existia; e que, ao
contrário, pelo fato mesmo de eu pensar em duvidar da verdade das outras
coisas, resultava com bastante evidência e certeza que eu existia; ao passo que,
se somente tivesse parado de pensar, apesar de que tudo o mais que alguma vez
imaginara fosse verdadeiro, já não teria razão alguma de acreditar que eu tivesse
existido; compreendi, então, que eu era uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas no pensar, e que, para ser, não necessita de lugar algum, nem
depende de qualquer coisa material. De maneira que esse eu, ou seja, a alma, por
causa da qual sou o que sou, é co mpletamente distinta do corpo e, também, que é
mais fácil de conhecer do que ele, e, mesmo que este nada fosse, ela não deixaria
de ser tudo o que é." Descartes

Nenhum comentário:

Postar um comentário